Bom Dia, Verônica: Minha Experiência com o Thriller Brasileiro que Me Deixou Sem Dormir
Sabe aquele livro que você começa a ler “só mais um capítulo” e quando percebe já são três da manhã? Pois é, “Bom Dia, Verônica” foi exatamente assim para mim. Confesso que comprei por impulso depois de assistir à série na Netflix, mas não estava preparado para a montanha-russa emocional que Raphael Montes preparou nas páginas deste thriller.
Como Tudo Começou
Eu sempre fui meio cético com thrillers brasileiros. Não por preconceito, mas porque achava que a gente ainda estava engatinhando no gênero comparado aos grandes nomes internacionais. Raphael Montes me provou que eu estava completamente errado.
A história gira em torno de Verônica Torres, uma escrivã da polícia civil do Rio de Janeiro que trabalha na Delegacia de Homicídios. Logo nas primeiras páginas, presenciamos junto com ela o suicídio de uma mulher que se joga da janela do prédio da delegacia. Esse evento traumático é apenas o começo de uma investigação não oficial que Verônica decide conduzir por conta própria.
O Que Me Prendeu Desde o Início
A escrita de Raphael Montes é direta, sem firulas. Ele não perde tempo com descrições desnecessárias ou enrolação. Cada frase parece ter um propósito, e isso cria um ritmo alucinante. Eu li o livro em dois dias, e olha que não sou um leitor rápido.
O que mais me impressionou foi a construção da protagonista. Verônica não é uma heroína perfeita. Ela é uma mulher comum, com suas próprias questões pessoais, medos e inseguranças. Tem um casamento morno, uma rotina burocrática e aquela sensação de que a vida está passando sem grandes emoções. Quando ela decide investigar por conta própria, não é por algum senso de justiça grandioso, mas porque finalmente encontrou algo que a faz sentir viva novamente.
Os Vilões Que Me Tiraram o Sono
Não vou dar spoilers, mas preciso falar sobre os antagonistas desta história. Raphael Montes criou personagens perturbadores de um jeito que eu nunca tinha visto em literatura brasileira. São pessoas que poderiam estar na casa ao lado, no elevador, no supermercado. Essa normalidade aparente é justamente o que torna tudo mais aterrorizante.
O livro aborda temas pesados como violência doméstica, misoginia e os limites até onde alguém pode ir para proteger segredos. Em vários momentos tive que pausar a leitura porque estava genuinamente incomodado – e isso é um elogio. Literatura de suspense precisa causar esse desconforto, essa sensação de que algo está errado.
Comparação com a Série da Netflix
Já que muita gente conhece “Bom Dia, Verônica” pela série, vale falar sobre as diferenças. A adaptação é boa, mas o livro é superior em vários aspectos. A série tomou liberdades criativas e mudou elementos importantes da trama. Se você assistiu e gostou, garanto que o livro vai te surpreender ainda mais.
O livro é mais sombrio, mais claustrofóbico. A tensão psicológica é construída de forma magistral, página por página. Na série, por limitações de tempo e formato, algumas nuances se perdem. Além disso, a versão literária nos permite entrar completamente na cabeça de Verônica, entender seus pensamentos, seus medos mais profundos.
O Que Poderia Ser Melhor
Sendo honesto, o livro não é perfeito. Alguns elementos da trama dependem de coincidências um tanto convenientes. Há momentos em que pensei “isso foi fácil demais” ou “que sorte, né?”. Mas nada que quebre a experiência ou tire o mérito da história como um todo.
Também achei que alguns personagens secundários mereciam mais desenvolvimento. Eles aparecem, cumprem seu papel e desaparecem sem deixar muita marca. Mas entendo que num thriller o foco precisa estar nos protagonistas e na trama principal.
Por Que Você Deveria Ler
Se você gosta de thrillers psicológicos, este livro é praticamente obrigatório. Raphael Montes prova que a literatura de suspense brasileira não deve nada para os grandes nomes internacionais. Pelo contrário, traz uma perspectiva única, com questões sociais muito presentes na nossa realidade.
O livro também é uma excelente porta de entrada para quem quer começar a ler mais thrillers nacionais. Não é muito extenso (tem cerca de 300 páginas), a leitura é rápida e envolvente, e você vai terminar querendo mais obras do autor.
A Reflexão Que Fica
Além de ser um page-turner viciante, “Bom Dia, Verônica” deixa reflexões importantes sobre violência contra a mulher, sobre como a sociedade frequentemente falha em proteger as vítimas, e sobre os monstros que se escondem atrás de fachadas de normalidade.
Terminei o livro com aquela sensação boa de quem leu algo que valeu cada minuto investido. Também fiquei com uma leve paranoia olhando para pessoas na rua e pensando “será que…?”. Se isso não é sinal de um bom thriller, não sei o que é.
Minha Nota Final
Dou 4,5 de 5 estrelas. É um thriller brasileiro excelente, com ritmo acelerado, personagens marcantes e uma trama que te mantém grudado até a última página. Só não dei 5 estrelas por causa de algumas conveniências do roteiro, mas nada que atrapalhe a experiência geral.
Se você está procurando sua próxima leitura e quer algo que te prenda do início ao fim, “Bom Dia, Verônica” é uma escolha certeira. Só não comece a ler tarde da noite se tiver compromissos no dia seguinte – você foi avisado!
Você já leu “Bom Dia, Verônica”? Conta aí nos comentários o que achou!

